Olá, leitorinhos! Segue um trecho de A Casa da Frente. Espero que gostem! Deixem seus recadinhos, críticas... o blog também é de vocês. Convido também para lerem as outras postagens e conhecerem um pouco mais sobre meu primeiro romance. Bora lá se divertir?
Renan desceu a serra soltando fogo pelas ventas. Aquele filho da
mãe tinha que aparecer daquele jeito e estragar toda a sua programação com
Samanta. A sorte é que o fotógrafo aparecera do nada e livrara a cara de ambos.
Porém, uma coisa deixou Renan com a pulga atrás da orelha. Como que Marcelo
soubera que Renan e Samanta estavam no mesmo hotel? A única pessoa que sabia
que sabia disso era Flávia.
Flávia. Só
podia ter sido ela. Tinha sido sua esposa quem contara para Marcelo qual era o
hotel em que estava. E ele ligara os fatos. Então, isto queria dizer que
durante o tempo em que Renan estivera fora, Flávia e Marcelo haviam se
encontrado.
Será que tinham transado?
Renan não tinha
engolido aquela história mal contada que Flávia tinha lhe aplicado naquela
noite em que a flagrara bebendo vinho com Marcelo. Agora todas as suas
suspeitas afloraram de vez. Assim como ele ficara com Samanta, Flávia e Marcelo
tinham ficado sozinhos. Duas noites totalmente livres. Duas noites de sexo.
Renan acelerou
mais ainda o carro. Cachorra. Além de ter passado duas noites com Marcelo,
Flávia fizera o favor de contar em que hotel ele estava hospedado. E deu no que
deu. Furioso, mas decidido a não comentar absolutamente nada com ela sobre o
motivo de estar voltando antes do previsto, Renan passou reto por todas as
malharias que encontrou pelo caminho. Não levaria nenhum presente para aquela
traidora. Nem para o Júnior. O bebê já tinha bastantes brinquedos para o seu
tamanho.
Renan chegou em
casa em menos de duas horas. Parou o carro em frente a casa e desceu irritado.
Tentou disfarçar sua raiva. Certamente Flávia deveria estar curiosa para saber
se havia acontecido o flagra, e ele não podia deixar que ela percebesse o
quanto estava frustrado. Respirando fundo, ele abriu a porta e não encontrou
ninguém. A empregada estava na cozinha, a voz de Júnior podia ser escutada do
jardim, e de Flávia nem sinal. Renan largou a pequena mala no chão e respirou
fundo. Duas noites fora... Será mesmo que Flávia e Marcelo…
− Já?
Flávia apareceu
do nada, vinda do escritório. Cruzou os braços na frente de Renan, como se
esperasse alguma explicação. Ele a encarou louco da vida, engolindo toda a sua
raiva ao responder:
− Resolvi deixar para fechar o negócio na segunda-feira. Na
realidade, não vou ficar nem mais rico e nem mais pobre por dois dias.
Ela segurou o
riso. Renan estava totalmente estranho. Parecia zangado, até. Certamente
Marcelo tinha pego ele e Samanta em alguma situação muito constrangedora a
ponto de Renan ter que simplesmente abortar seus planos.
− Você almoçou?
− Não.
− Quer comer alguma coisa? Esquento no microondas para você.
Aquela
solicitude toda deveria ser peso na consciência, imaginou Renan, depois de ela
ter passado na orgia com Marcelo.
− Talvez um sanduíche... Mas primeiro quero tomar um banho.
− Muito bem, então – respondeu Flávia. – Vou fazer um sanduíche
de frango bem gostoso e levo para você.
− Faça isto – disse ele, pegando sua mala no chão, vendo que
suas desconfianças chegavam às raias da verdade absoluta. – Eu espero você lá
em cima.
Flávia, entre
gargalhadas, providenciou o lanche para o marido e subiu as escadas para o
quarto em menos de 15 minutos. Quando abriu a porta já o encontrou se
enxugando.
− Aqui está – disse ela. – Coloquei bastante catchup, como você gosta.
− Obrigado – agradeceu Renan, disfarçando seu mau humor. Depois
pediu. – Você pode secar minhas costas?
Era uma mania
que ele tinha desde o tempo em que eram namorados, pedir
para Flávia secar suas costas, até mesmo quando estas já estavam secas.
− Claro que sim – concordou ela, solícita.
Renan lhe
estendeu a toalha, e Flávia se pôs a enxugar as costas do marido com muita
delicadeza. Em seguida ela anunciou:
− Puxa, arranhei você com minhas unhas.
Imediatamente
Renan ficou tenso. Samanta.
− Unhas?
− Sim – respondeu Flávia, sem querer admitir
que estava um pouco enciumada. Aquelas garras definitivamente não eram as suas. – Não sabia que
na nossa última noite de amor eu havia feito isto com você. Desculpe, querido.
− Não se preocupe, Flavinha – respondeu Renan, pálido. Ainda bem
que ela não podia ver seu rosto. – Sabe que nem doeu?
− Que bom – retorquiu ela, passando a esfregar as costas de
Renan com mais força, quase bruscamente. – Realmente, vou ter que cortar minhas
unhas.
Subitamente,
Flávia parou de secar as costas de Renan, jogando a toalha na cama.
− Já acabei, Renan. Coma agora seu sanduíche. Está uma delícia.
Ela pegou o
celular, e Renan gelou. Estaria sua esposa ligando para Samanta?
− Para quem você está telefonando?
− Para a Bete, minha manicure preferida. Vou pedir para que ela
venha imediatamente aqui em casa fazer minhas unhas, antes que eu acabe ferindo
o Júnior.
Enquanto Flávia
falava com a manicure, discretamente Renan foi para frente do espelho e se
retorceu para tentar ver seus arranhões. Nem precisou muito. Samanta havia
caprichado. Havia uma série de arranhões que iam de alto a baixo nas suas
costas. Será que ela havia ficado com alguma marca também?

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